História do Capuchinho Vermelho (dia 5/11/2012)
Era uma vez uma linda menina que vivia numa aldeia do bosque e de quem todos gostavam muito por ser muito boa e simpática.
Um
dia a mãe fez-lhe um capucho vermelho para ela levar para a escola. No
trajecto a menina cumprimentava os animais, pois conhecia-os e era amiga
de todos. Ao vê-la tão bonita com o seu novo capucho eles começaram a
tratá-la por Capuchinho Vermelho.
Um dia a mãe chamou-a e disse-lhe:
-
Tens aqui uma cesta com bolos e um pote de mel para levares à avózinha
que não anda muito bem de saúde. Toma cuidado: não te demoraes no
caminho e não fales com desconhecidos.
- Podes ficar descansada, mãezinha, farei como dizes - prometeu Capuchinho Vermelho.
Ia ela muito contente quando, a certa altura, encontrou um lobo. Este, com uma voz muito meiga , disse-lhe:
- Olá, bela Capuchinho! Nem imaginas como desejava conhecer-te.
A
menina ao ouvir isto ficou muito surpreendida, pois achou que o lobo
não era tão feroz como toda a gente dizia. Apesar disso respondeu-lhe:
- O senhor lobo desculpe-me mas a minha mãe proibiu-me de falar com desconhecidos.
-
Desconhecido, eu? Sou a mais popular de todas as criaturas do bosque,
não deves fazer caso do que dizem. Onde vais com essa cesta?
- Vou ver a minha avózinha que está doente e levar-lhe bolos e um pote de mel.
- E onde vive a tua avózinha?
- Vive para lá do moinho, numa casa à beira do lago, junto a uma grande árvore.
O lobo já com água na boca pensou:
-
Que maravilha de petiscos, devem ser tão bons, tenho que me apoderar de
ambas. Acompanhou Capuchinho e a certa altura disse-lhe:
- Penso que também eu deveria visitar a tua avózinha, uma vez que ela está tão adoentada, não te parece?
- Sim, sim, acho que ela ficaria muito contente.
- Olha, tu vais por este caminho e eu vou por aquele. Veremos quem chega primeiro, - disse-lhe o lobo.
-
Como eu sou esperto e como foi fácil convencê-la, pensou o lobo, ela
vai pelo caminho mais distante e assim eu terei tempo de chegar antes.
O lobo correu então em direcção à casa da avó de Capuchinho Vermelho. Uma vez lá chegado bateu à porta e a avózinha perguntou:
- Quem é?
- É o Capuchinho Vermelho, respondeu-lhe o lobo, trago-lhe bolos e um pote de mel; abra a porta por favor.
- Entra, minha netinha, a porta está só no trinco.
O
lobo abriu a porta e sem dizer nada foi ao quarto da avózinha e
comeu-a. A seguir vestiu as suas roupas, enfiou a touca, colocou no
nariz os óculos da avózinha e meteu-se dentro da cama, cobrindo-se com
uma manta.
Capuchinho, depois de muito caminhar,
pois viera pelo caminho mais longo, chegou finalmente a casa da avó;
ficou muito surpreendida por encontrar a porta aberta.
- Bom dia. Está alguém em casa? - perguntou ao entrar.
Como
ninguém lhe respondeu, dirigiu-se ao quarto e aproximando-se da cama,
não reconheceu o lobo, pois ele estava disfarçado com as roupas da
avózinha. Notou contudo que havia algo diferente e disse:
- Avózinha estás com umas orelhas tão grandes!
- São para te ouvir melhor.
- E tens uns olhos tão grandes!
- São para te ver melhor.
- E os teus braços são tão grandes!
- São para te abraçar melhor.
- E tens uma boca tão grande!
- É para te comer.
E
nisto o lobo saltou da cama e engoliu a pobre Capuchinho Vermelho, que
nem teve tempo de ter medo. Voltou depois a deitar-se e adormeceu
profundamente, ressonando muito alto.
Um caçador que por ali passava, ao ouvir todo aquele barulho, pensou:
- Esta velhinha não ressonava desta maneira! Vou mas é ver o que se passa.
Entrou no quarto e deparou com o lobo a dormir profundamente.
- Até que enfim que te encontrei. Procuro-te à tanto tempo!
E
quando ia a pegar na arma lembrou-se que o malvado podia ter comido a
avó e que talvez ainda a pudesse salvar. Pegou na faca e... zás,
abriu-lhe a barriga e de lá saiu Capuchinho Vermelho. Logo a seguir saiu
a avózinha, ainda com vida mas respirando com muita dificuldade.
Depois
de contarem ao caçador o que se tinha passado, Capuchinho saiu a correr
e foi apanhar pedras, encheu com elas a barriga do lobo e a avó coseu a
pele.
O lobo, quando acordou e viu o caçador, que
disparou para o chão, fugiu a correr em direcção ao lago, e quando se
atirou à água para fugir a nado, com o peso das pedras foi parar ao
fundo e afogou-se, com o que até nada se perdeu, pois ele era um lobo
mau a valer.
Então a avózinha disse para a Capuchinho:
- Vai à dispensa e arranja alguma coisa para o lanche do nosso salvador.
Depois de ter comido, o caçador disse:
- Vamos, Capuchinho, vou acompanhar-te a casa, não vá andar por aí outro lobo malvado.
Ao
chegaram a casa, Capuchinho Vermelho contou à mãe todas as peripécias
que lhe tinham acontecido, pedindo-lhe desculpa por ter desobedecido às
suas recomendações e prometendo nunca mais o voltar a fazer.
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